não fomos nós que escolhemos
A máscara que usamos
veio servir a outros
A máscara que fala por nós
é aquela que quem nos oprime criou
O pensamento que cobre nosso mundo
é imposto pelos mesmos que criaram nossas máscaras
Marcius Mirvini Fuchs
Marcius Minervini Fuchs
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Lendo o texto “A masculinidade do homem que dança: O ensaio sobre a constituição da Identidade sexual de bailarinos.” Surgiram questões em nossas mentes, questões essas que há muitos anos vêm sendo colocadas em nossa sociedade, questões sobre gêneros e sexualidade!
A primeira questão a colocar é: O que é ser normal? Se analisarmos o contexto social de cada indivíduo, cada um tem sua idiossincrasia, assim todos somos diferentes um dos outros, ou seja, não há como colocar um padrão de normalidade considerando que há contextos sociais próprios de cada ser.
Mas em que a sociedade se baseia para construir essa normalidade? Simplesmente nos interesses da classe dominante, pois a família atual capitalista baseia-se no Capital e no lucro privado, assim existindo a família centralizada, patriarcal, usando a mulher como um mero instrumento de produção, e para sustentar essa ideologia do sistema regente, usam da educação pra manter esses padrões ditos normais pela elite. E na dança não é diferente.
Historicamente a dança se confundiu com o desenvolvimento da humanidade, sempre ligada a momentos solenes se fez presente dos rituais religiosos aos rituais de guerra dando um aumento a sua importância, não vista em outras manifestações. E com a lógica burguesa de se apropriar de culturas para fortalecer seus interesses, usou a dança para coagir ainda mais essa “família” centralizada e essa “normalidade” da sexualidade humana.
O medo de tocar e ser tocado, a vergonha de manifestar seus sentimentos, não vem da natureza humana, como muitos afirmam, e sim da repressão histórica feita por interesses de uma minoria, como no feudalismo com a Igreja, e no capitalismo pela classe capitalista. Pois o tocar e ser tocado permite uma maior liberdade de expressão, um conhecimento e controle do corpo e de sua personalidade. Essa repressão histórica vem com o intuito de fortalecer os interesses de tal elite, de ver o homem como um simples meio de produção, alienando a sociedade a fim de fazê-la apenas reproduzir.
A dança como meio de cultura corporal, e método educacional, pode ser usada como um instrumento de libertação, usada como um efeito contrário à lógica burguesa, enfatizando a liberdade de expressão a fim de haver uma manifestação sentimental a ponto de superar a repressão da heteronormatividade (termo usado para enfatizar que a heterossexualidade é o padrão de normalidade sexual), equilibrando a existência da mulher, do homem e de suas diversas sexualidades.
No filme “Billy Eliot” podemos ver essa visão de homem como apenas modo de produção, quando o pai, trabalhador de uma mina de carvão mineral, obrigava seu filho a praticar o boxe, a fim de construir um homem forte para no futuro se tornar o centro da família para poder sustentar sua existência na sociedade, pois a classe trabalhadora vende sua força de trabalho, sua mercadoria, para permanecer com sua existência como classe trabalhadora, trocando o valor de sua mercadoria pelas suas necessidades básicas de existência, como comer, tomar água, etc... Assim, a escolha do menino em dançar balé foi altamente proibida pelo seu pai, pois a educação dada em sua sociedade foi a imposta pelos padrões burgueses de sustentação ao capital, como já foi citado antes.
Roubaram nossa cultura, roubaram nossa liberdade de expressão, nosso direito de pensar, nosso direito de escolha, falta muito pouco para roubarem de vez nosso direito de viver. Dessa maneira a dança pode ser mais um instrumento para ajudar a superar as repressões feitas pela sociedade capitalista, ajudando nas práticas sociais de cada indivíduo, tornando estes sujeitos pensantes capazes de lutar por todos nossos reais direitos, principalmente nosso direito de seres humanos, da nossa existência como pessoas frutos de uma sociedade igualitária e sem preconceitos.
Texto de: Marcius Fuchs
Guilherme Lovatto
Fontes:
Filme Billy Eliot do diretor Stephen Daldry;
O manifesto do Partido Comunista de Karl Marx;
Trabalho assalariado e capital & Salário preço e lucro de Karl Marx;
A masculinidade do homem que dança: O ensaio sobre a constituição da Identidade sexual de bailarinos. Pesquisa desenvolvida pelo coletivo de pesquisadores(as) do Grupo de Estudos e Pesquisas
Venho mais uma vez mostrar minha indignação a um tipo específico de repressão, a repressão aos usuários de drogas – hoje mais especificamente dos usuários de maconha. Temos que pensar bem no que causa o conflito entre direitos e interesses, expressão corporal e moralismo burguês. Para tal, devemos saber um pouco mais sobre a história da causa de toda essa repressão, e depois criticarmos.
Desde 8.000 anos antes de Cristo até o início do séc. XX, a maioria dos produtos como cordas, velas (de embarcações), tecidos em geral, eram feitos da fibra da maconha. Com pouca tecnologia para a produção de produtos oriundos da planta, ficava difícil a produção
A proibição da maconha começou nos EUA na década de 30, pois grandes indústrias têxteis, como a companhia DuPont,empresários de plástico e de papel, como do mega-milionário , e possuidor dos principais meios de comunicação do país da época, William Randolph Hearst e grandes latifundiários de algodão, estavam ameaçados frente aos seus lucros. Caso não agissem contra a planta, os grandes burgueses perderiam bilhões de dólares. Observe-se que, só na área da produção do papel, um acre de plantação da Cannabis produz a mesma quantia de papel que quatro acres de árvores desmatadas.
Além da produção de papel, a maconha é ideal para a produção do plástico, de explosivos e têxtil. Porém, a DuPont acabara de patentear a produção de plástico oriundo do petróleo. Também o nylon, com suas tecnologias altamente poluidoras, sugando ainda mais a vida do planeta, se importando com interesses mercantis e esquecendo-se das questões sociais.
Os jornais da época, pertencentes a William Hearst, começaram a fazer uma forte campanha anti-maconha, enfatizando acidentes de carros causados por usuários da erva nas páginas principais. Já os causados por bêbados ficavam em terceiro plano e nas páginas internas, começando aí a repressão.
Com o fim da lei seca, o departamento que fiscalizava o comércio ilegal de bebidas alcoólicas não teria mais finalidade. Isso geraria bastante desempregados, o governo então, aproveitando o apoio da grande burguesia, usou da situação para por em prática a lei denominada “Marijuana Tax Act”, em 1937, com o objetivo de removê-la do mercado, apesar de muitos relatórios e pesquisas feitas na época enfatizando que o uso da droga era menos danoso que muitas drogas lícitas.
Em um espaço da coluna do jornalista Fabrício Minussi do jornal A Razão de Santa Maria do dia 19 de Abril de 2008, fala sobre a falta de maconha na cidade, pois a polícia federal está apreendendo a maioria da droga, assim tendo um aumento do uso de crack e cocaína aumentando a violência.
Não estou aqui para fazer apologia, nem mesmo para falar em legalização ou instigar o uso, e sim, mostrar que pessoas que usam drogas, têm seu direito de usar, sem sofrer preconceitos ou até mesmo agressões, pois toda violência gerada, não é pelo uso como a sociedade fala, e sim pela repressão.
Pergunto, qual a diferença entre álcool e maconha? Sabemos hoje, após pesquisas, que as bebidas alcoólicas também "queimam" neorônios, e fazem muito mais danos que a erva. A cerveja pode levar aos destilados e bebidas cada vez mais danosas, como a cannabis pode levar a outras drogas mais fortes. Porém, como há pessoas que tomam sua cerveja no final de semana e sabem controlar seu uso, há aquelas que fumam seu baseado e sabem controlar o uso.
Bom, as questões são: Até quando deixaremos os interesses burgueses e seu moralismo ditar as regras de nossa sociedade? Até quando eles sugarão a liberdade de escolha e direitos de cada cidadão? Até quando nossa terra será explorada e sucateada pelos mesmos? Cada um de nós tem sã consciência do que fazemos, do que escolhemos e do que acarretará nossas escolhas. Porém a alienação e preconceitos causados por interesses de poucos, fazem com que pessoas sejam reprimidas, seja por uso de drogas, por sua escolha sexual, por sua cor e infinitas características que são vistas como “anormais” pela maioria. Como diria no rico livro “O manifesto do Partido Comunista” de K. Marx e F. Engels, o pensamento da maioria é o pensamento da classe dominante, e esse pensamento “dominante” faz o mundo cair dia após dia em um poço sem fundo! Qual é o seu papel, reprimir ou se libertar?
Marcius Minervini Fuchs